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Quanto cobrar por uma avaliação de imóvel (e quando não cobrar nada)

Quanto cobrar por uma avaliação de imóvel é a pergunta que trava o corretor que faz avaliação toda semana e entrega sem cobrar, porque sempre foi cortesia da captação. Veja as três réguas de honorário que existem, a conta com número real do Núcleo Bandeirante e o passo a passo para definir um preço que você defende na frente do cliente.

03 de agosto de 20268 min de leitura6 leituras
Quanto cobrar por uma avaliação de imóvel (e quando não cobrar nada)

Quanto cobrar por uma avaliação de imóvel é a pergunta que trava o corretor que avalia imóvel toda semana. Visita, mede, levanta comparáveis do bairro, monta um número e apresenta, sem cobrar, porque a avaliação sempre foi a cortesia que abre a captação.

O problema aparece no pedido que não vem com captação nenhuma. O filho quer o valor do apartamento do pai para a partilha. O casal quer saber quanto tem antes de decidir se vende ou reforma. O contador precisa do valor de um imóvel do balanço. Nenhum dos três vai assinar contrato com você, e os três querem o mesmo trabalho técnico que você entrega de graça há anos.

É uma decisão que se toma uma vez, com critério, e se aplica sem gaguejar. Este artigo junta as referências que existem, a conta com número real do Distrito Federal e o passo a passo para chegar no seu preço.

Quanto cobrar por uma avaliação de imóvel: as três réguas do mercado

Os conselhos regionais publicam tabelas referenciais de honorários. Não são preço tabelado, o valor é combinado entre as partes, mas como parâmetro elas trazem três lógicas diferentes.

  • Percentual sobre o valor do imóvel. A tabela do CRECI-RS prevê de 0,5% a 1% do valor de comercialização para o parecer escrito sobre o valor de um imóvel. A da Paraíba trabalha com 1% do valor da avaliação.
  • Piso mínimo. A tabela paraibana sugere um honorário mínimo de dois salários mínimos, o que dá R$ 3.242 com o salário de R$ 1.621 que vale em 2026.
  • Hora técnica. A tabela do CRECI-RS também prevê o serviço técnico por hora, R$ 150 a hora, mais as despesas necessárias.

Três réguas para o mesmo serviço. Cada uma delas, usada sozinha, erra em uma das pontas. Juntas, resolvem.

A conta que mostra onde o percentual falha: Núcleo Bandeirante

Um exemplo com número real. No Núcleo Bandeirante, metade dos anúncios de apartamento tem o metro quadrado entre R$ 4.260 e R$ 5.795, com o centro em R$ 4.939 e grau de confiança alto pelo volume de anúncios da região.

Num apartamento de 60 metros quadrados, isso dá um piso de R$ 256 mil, um teto de R$ 348 mil e um centro de R$ 296 mil. É a janela real em que as propostas daquele perfil acontecem.

Agora aplique as réguas no centro da faixa. Um por cento de R$ 296 mil dá R$ 2.963. Meio por cento dá R$ 1.482. Os dois ficam abaixo do piso de dois salários mínimos que a mesma família de tabelas sugere.

E o trabalho é idêntico ao de um apartamento de R$ 1,2 milhão no Sudoeste: a mesma visita, a mesma conferência de área útil, o mesmo levantamento de comparáveis vivos, a mesma redação, a mesma assinatura embaixo. O percentual cobra pelo valor do imóvel, e o esforço não acompanha o valor do imóvel.

Na ponta de cima acontece o oposto. Um por cento de um imóvel de R$ 2 milhões no Lago Sul dá R$ 20 mil por um parecer, e esse número não se sustenta numa conversa. Por isso a fórmula que funciona tem três camadas: piso, percentual no meio e teto.

Quando cobrar, e quando a avaliação rende mais de graça

A régua prática é simples: se o documento vira contrato com você, ele é investimento comercial; se ele vira uma decisão do cliente sem você, é serviço, e serviço tem preço.

Cobra-se quando não há captação na mesa: partilha e inventário, dissolução de sociedade, decisão de vender ou reformar, valor de imóvel para contabilidade ou seguro, e todo pedido em que o cliente quer um documento identificado e assinado para mostrar a terceiros. Não se cobra (ou se embute na comissão) quando a avaliação é o instrumento da captação e sai junto com o contrato assinado, porque aí o valor do estudo já está na comissão.

Existe um meio de campo que funciona bem: cobrar e abater. Você cobra o parecer e desconta o valor da comissão se a captação fechar com você dentro de um prazo combinado. O cliente não sente que pagou duas vezes, e você deixa de fazer trabalho técnico gratuito para quem já decidiu anunciar com outra pessoa.

Coincidência boa para um artigo sobre cobrar: o Núcleo Bandeirante nasceu em 16 de dezembro de 1956 chamado de Cidade Livre, e "livre" ali era de taxa, não de graça. Os lotes de comércio e serviço eram arrendados por no máximo quatro anos, isentos de tributo, para atrair quem fosse trabalhar na construção de Brasília. A cidade era provisória e sobreviveu por lei do Congresso. Setenta anos depois, quem vende serviço aqui continua com a mesma pendência: separar o que é isento do que é gratuito.

Passo a passo para definir o seu preço

  1. Defina o entregável antes do preço. Quantas páginas, quantos comparáveis, com ou sem visita, prazo de entrega e por quanto tempo aquele valor vale. Preço sem escopo é o que faz o cliente pedir "mais uma coisinha" para sempre.
  2. Cronometre uma avaliação de ponta a ponta, uma vez. Deslocamento, visita, conferência de documento e área, levantamento de comparáveis, montagem e apresentação. O total em horas é o piso de custo do seu serviço, e quase sempre é maior do que a memória diz.
  3. Monte o preço em três camadas. Um piso que cobre as suas horas em qualquer imóvel, um percentual para o meio da tabela e um teto para os imóveis de valor alto. Assim o apartamento de R$ 296 mil no Núcleo Bandeirante não sai no prejuízo e o de R$ 2 milhões não sai com um honorário que ninguém aceita.
  4. Tenha dois produtos, não um. Uma consulta rápida de faixa da região, resolvida em meia hora e por um valor pequeno, e o parecer completo com visita e comparáveis. Muita gente que recusa o parecer compra a consulta, e parte dessas consultas vira captação depois.
  5. Combine por escrito e peça adiantamento. Escopo, valor, prazo e forma de pagamento em uma página, com parte do valor na contratação e o restante na entrega.
  6. Escreva a sua tabela num lugar só, com data. Um arquivo seu, revisado uma vez por ano. Quem responde de cabeça responde diferente para cada cliente, e é aí que o preço vira improviso.

O que faz o proprietário aceitar pagar

O cliente paga pelo documento que sustenta o número quando alguém questionar: a faixa da região com piso, teto e centro, os comparáveis do bairro que você usou, quantos anúncios sustentam aquela faixa, a data de referência, a leitura do imóvel dele e a sua identificação embaixo. É isso que ele leva para o irmão, para o advogado ou para o gerente do banco.

E repare onde está a maior parte do custo em horas: em montar a faixa da região e do tipo com os comparáveis vivos do bairro. É justamente a etapa que dá para deixar pronta. A Pardal Data organiza o mercado do Distrito Federal e entrega a faixa por região e por tipo, com piso, teto, centro, grau de confiança e os comparáveis que sustentam o número, no relatório com a sua marca. O que você cobra continua sendo o seu trabalho. O que muda é quantas horas ele consome, e portanto quanto sobra.

Perguntas frequentes

Existe tabela obrigatória de honorários para avaliação de imóveis? Não. As tabelas dos conselhos regionais são referenciais: servem de parâmetro e ajudam a defender o seu valor numa negociação, mas o preço é combinado entre as partes, por escrito, antes do trabalho começar.

Preciso do CNAI para cobrar por uma avaliação? A Resolução COFECI 1.066/2007 permite a elaboração do parecer técnico de avaliação mercadológica a todo corretor de imóveis pessoa física regularmente inscrito no conselho regional, e afirma que a inscrição no Cadastro Nacional de Avaliadores é opcional. O CNAI conta como diferencial de credibilidade e aparece como exigência em alguns editais, não como requisito para emitir o parecer.

Isso é a mesma coisa que um laudo NBR 14653? Não, e vale deixar claro na hora de fechar o valor. O laudo é outra necessidade, feito por profissional habilitado, e é o que se pede em processo judicial, garantia bancária e parte das exigências fiscais. O parecer de avaliação mercadológica e o relatório de mercado servem para decidir preço de anúncio, sustentar a captação e orientar a decisão do proprietário.

E quando o cliente acha caro? Mostre o escopo, não o desconto. Quase sempre ele está comparando o seu parecer com uma estimativa de calculadora de site, que sai em dez segundos e não tem comparável, faixa, confiança nem assinatura de ninguém.


Se você entrega estudo de avaliação de graça para quem não vai assinar contrato com você, está financiando a decisão de terceiros. A Pardal Data entrega a faixa de preço por região e tipo do DF, com comparáveis do bairro e grau de confiança, no relatório com a sua marca, em minutos.

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Fonte: Pardal Data, anúncios ativos de venda no DF (Núcleo Bandeirante: apartamentos n=64, grau de confiança alto, julho de 2026). Referências de honorário: tabelas referenciais do CRECI-RS e do CRECI-PB. Regra do parecer técnico de avaliação mercadológica: Resolução-COFECI 1.066/2007, artigos 4 e 6. Salário mínimo de R$ 1.621 em vigor desde 1º de janeiro de 2026. História da Cidade Livre e do Núcleo Bandeirante: Arquivo Público do Distrito Federal.

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